sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Uma janela se abre para o mundo das grandes baleias do Pacífico Sul


Primeiros resultados da Trilha das Grandes Baleias revelam detalhes da migração de jubartes rumo à Antártida e empolgam cientistas envolvidos no projeto.
Marcar baleias com sensores, para rastreá-las por satélite, não é uma tarefa fácil. Na verdade, estudar baleias no seu próprio habitat nunca foi fácil, e talvez isso seja o mais estimulante de todo esse trabalho do projeto A Trilha das Grandes das Grandes Baleias. Apesar das muitas dificuldades, os cientistas do projeto conseguiram marcar 20 baleias e seguir sua migração por dois meses. Os resultados foram incríveis.
A Trilha das Grandes Baleias é uma colaboração do Greenpeace e cientistas que trabalham com baleias Jubartes no Pacífico Sul. Com o nosso apoio financeiro, um pequeno grupo de baleias jubartes pode ser estudado e marcado pelo Cook Islands Whales Research e pelo Opération Cétacés, da Nova Caledônia.

A equipe de cientistas conta com nomes renomados como Claire Garrigue, da Operation Cétacés. Ela estuda baleias Jubartes na Nova Caledônia, onde as mesmas se reproduzem. Estima que essa população apresenta menos que 100 indivíduos, e ainda pouquíssimos sinais de recuperação após o período de caça. Há fortes suspeitas de que as jubartes da Nova Caledônia migram para áreas de alimentação, onde estarão sendo objeto de caça científica dos japoneses nessa próxima estação.
Outro nome importante que faz parte do projeto é Nan Hauser, da Cook Islands Whale Research. Ela pesquisa baleias Jubartes e normalmente consegue foto-identificar através da cauda cerca de 60-70 baleias por estação.
Claire pode fotografar uma baleia no sul da Nova Caledônia e em poucas semanas, ou até anos, Nan Hauser pode ver e registrar a mesma baleia a uma milha da costa de Rarotonga (nas Ilhas Cook) apenas com base nos desenhos em suas caudas.
Essas combinações dos desenhos das caudas são muito importantes cientificamente, mas o movimento entre esses dois pontos no tempo e espaço é, ainda hoje, um mistério.
Em agosto e setembro desse ano, Garrigue e Hauser, trabalhando junto com um cientista brasileiro do Instituto Aqualie, conseguiram marcar com sensores 20 baleias jubartes – 12 na Nova Caledônia e 8 nas Ilhas Cook. Todos os cientistas, mais a equipe do Greenpeace e nossos colaboradores e voluntários estavam aguardando ansiosos pelas respostas dos sensores.
“Hoje podemos afirmar que estamos todos muito felizes com o resultado dos sensores, que transmitiram sinais das baleias por dois meses”, afirma Leandra Gonçalves, coordenadora da Campanha de Baleias do Greenpeace Brasil.
"A marcação de baleias por satélite pode nos fornecer informações críticas sobre a estrutura da população e seu comportamento. Embora todos os sensores pararam a transmissão antes de qualquer baleia ter alcançado a Antártida, a informação conseguida nesses dois meses foi sensacional, e mostrou ser mais importante do que os programas de caça científica japonesa têm conseguido”, afirma Leandra Gonçalves.
Das 12 baleias da Nova Caledônia, algumas viajaram da área costeira do sul, pela área oceânica, para um distante banco de corais no sudeste, e algumas baleias permaneceram lá por longos períodos.
Até a realização da Trilha das Grandes Baleias, ninguém tinha idéia da importância da migração oceânica dessas baleias. Garrigue já está planejando um trabalho de foto-identificação e genética para a próxima temporada de reprodução nas Ilhas Nova Caledônia, e os resultados dos sensores podem movimentar esforços futuros para proteger o ambiente dos corais até então desconhecido, e agora com a presença das baleias.
Terra de Moby Dick
Uma dessas baleias surpreendeu a todos, deixou o sul da Nova Caledônia e se deslocou por toda costa oeste, centenas de milhas, para áreas de ilhas e corais conhecida como Chesterfields.
Isso trouxe aos pesquisadores a tona um registro histórico, porque no conhecido Dia de Herman Melville (isso mesmo aquele da história da Moby Dick), Chesterfields era um lugar onde se praticava a caça de baleia “yankee” no século 19. Ou seja, aí está a explicação para a ausência das baleias nessa área por um longo tempo.
Algumas baleias da Nova Caledônia se deslocaram para as Ilhas Norfolk e/ou para a costa norte da Nova Zelândia, preenchendo agora um passo chave no conhecimento prévio nessa população. Os cientistas sempre pensavam que as baleias iam para a Nova Zelândia, mas precisavam dessa confirmação, sobre sua migração.
Os movimentos entre essas duas areas são importantes, porque as baleias não têm mostrado sinais de recuperação dos tempos da caça em nenhuma dessas áreas e assim a ligação entre elas tem significativas implicações para a conservação desses animais.
Em todo esse contexto também pudemos concluir que as baleias marcadas na Nova Caledônia em nenhum momento foram para a Austrália, o que nos dá razões para acreditar que existem duas populações distintas na região.
Surpresa nas Ilhas Cook
O comportamento de oito baleias do grupo de 20 foi uma grande surpresa no entorno das ilhas Cook. Em vez de se espalharem e viajarem em diferentes direções, todas foram juntas para o oeste.
Uma das baleias viajou no sentido de Samoa, enquanto que outras se moveram para um complexo de ilhas e corais próximo à Tonga. Isso pode indicar que as baleias entram nas Ilhas Cook num tipo de 'onda' que as leva para as ilhas do leste, mas os cientistas ainda não podem afirmar - embora os movimentos tem sido observados entre as jubartes fotografadas em uma outra área de reprodução no Caribe.
Uma outra surpresa: nenhuma das baleias da ilhas Cook, diferente das observadas nas ilhas da Caledônia, mostrou qualquer sinal de seguir sentido do continente antártico. A variabilidade desses movimentos, e a consistência com a qual os animais das Ilhas Cook viajaram para oeste, têm importantes implicações para uma variedade de assuntos que seguem desde a estrutura de uma população rara e ameaçada até como esses animais navegam.
Dê nome às baleias
Nos próximos meses, cientistas vão trabalhar em mais detalhes do movimento desses animais, procurando respostas para afirmar se eles têm alguma relação com as características dos oceanos, como corais, correntes, fundo oceânico ou talvez até campo magnético – todos podem ter influência nos mecanismos que levam as jubartes em sua jornada pela imensidão dos oceanos.
Ainda estamos na expectativa para ver se um ou mais sensores voltam a transmitir sinais, mas todas as nossas baleias estão agora em nossa base de dados virtual para pesquisadores do mundo todo. E você pode ajudar a batizar cada uma delas, votando nos melhores nomes que foram escolhidos por internautas de todo o mundo. A votação começa no próximo dia 19 de novembro. Fique atento!
Fonte: Greenpeace Brasil.

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